“No mundo o que existe de sobra é convencimento exacerbado. Mesmo lá os fracassados têm seu convencimento reportado aos seus dias históricos de fama já passados. O convencimento faz a cabeça, traz ares de superioridade, estratifica a sociedade, e cria os donos do pedaço. Nada mal andar de cabeça erguida, mas os sinais de superioridade não é a cabeça, é o peito estufado. Nada mal a tal de auto-estima, de confiança em si próprio, mas “o que pega” é o tal de aniquilar o pensamento do outro.
A arrogância do bacana é recheada de frieza, de poder, de manipulação da verdade, e na correnteza de exploração, escravização dos subalternos.
Sou mais mais, sou mais eu. Posso tudo, posso mais. Tenho seguidores, tenho escravos, sou dono da terra. Tudo no exagero é ruim.
O convencimento a flor da pele releva o pensamento alheio, cria estratificação social, manipula o meio a beneficio próprio. Que me desculpe o grotesco mas, bosta derretida é chocolate. Somos todos iguais, mantida a proporção do tal convencimento.O convencido distorce os fatos e se faz senhor da questão. Os exemplos estão à nossa frente.Isto não se dá apenas a nível individual, mas também os bam bam bans se organizam em grupos como melhor estratégia de ação. Quer ver? Preste atenção na postura dos políticos inflamados, dos pastores engravatados na mídia, do crente fanático no púlpito. Acima de tudo que se pensa, de tudo que se diz tem os que querem tabular o pensamento e a liberdade de expressão.
Creio, com meus cabelos grisalhos, que não é o militante convencimento em si próprio que fará o mundo, digamos, sustentável. Mas sim o exercício livre da plena consciência.
Qual é o mérito de estufar o peito, tornar notável e poderoso e pisotear o menor? Triste ver o homem caído, vergonhoso ver o famoso exercitando a escravização. Falar de amor ao próximo parece papo de igreja, mas este é o tempero para uma sociedade justa, coisas que a baladada internet não acrescentou no seu site.
Quer transformar um simples mortal em imponente convencido? Traga-lhe um copo de água mineral e um microfone, transforme-o em coordenador de evento, ofereça-o uma platéia, pronto!
O mundo é plural. O menor pensamento precisa ter seu áudio, desconfie do condutor de polêmicas e eu que não sou nada preciso ser alguém. De resto é como tudo se dá, tudo de bom ou ruim, premeditado ou não, acontece ao natural e enquanto vivos, vamos nessa, nos fazendo de vividos.”
Nelson Luiz de Morais (pai)

Muito bom!
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