É do meu quarto que eu ouço o tic-tac do relógio. Isso fura a minha alma, me faz ter a nítida certeza que o tempo escorre pelas mãos de Deus. E eu continuo aqui, vegetando, inerte! Quando tinha sete anos costumava planejar o dia, o mês e o ano. Pensava como seria quando crescesse... Queria mudar o mundo, mudar a visão das pessoas, criar!, descobrir sempre o porquê das coisa. Calculava na ponta do lápis com quantos anos terminaria o colégio e o que estaria fazendo aos 20. Pensava que nesta altura da vida já estaria tudo encaminhado! Ironia ou não aos dezenove anos eu continuo pensando como será quando crescer e querendo para o futuro as mesmas coisas que desejava na infância. Mas agora meu reflexo no espelho condena os aniversários colecionados e me traz a única certeza: nada mudou alem do calendário.
